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 O HOMEM QUE VIROU CARTA

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MensagemAssunto: O HOMEM QUE VIROU CARTA   Qui 05 Ago 2010, 13:38

Não quero de maneira alguma promover uma só pessoa
ou algum interesse, mas achei muito interessante o ocorrido. Neste ano o
jogador Willy Edel do Rio de Janeiro foi matéria de dois periódicos, e gostaria
de poder compartilhar o que eu acredito ser algo muito bom para o mercado do
Magic.




DUZENTAS MIL MILHAS ATRÁS DA CATACUMBA SUBMERSA


Depois de três meses de reflexo e muitos debates com Fernanda, sua mulher,
Willy Edel decidiu reunir a família para comunicar a novidade não muito palatável.
Aos 27 anos, filho dos sonhos de nove entre dez famílias, ele vinha sendo
promovido rapidamente na Shell e conciliava o emprego com dois mestrados
concomitantes, em estatística e em engenharia de produção. Achou melhor ser
direto: "Pai: recebi uma proposta de patrocínio para ser jogador
profissional de Magic e vou aceitar.”


O pai, que já comemorara bodas de prata como funcionário da Petrobras, temeu
pelo pior e perguntou o que isso queria dizer. "Só que eu vou trancar as
faculdades e pedir demissão", ouviu. Para os desinformados, Magic é um
jogo de cartas, e o pai tinha culpa nesse cartório. Durante a adolescência do
filho, recompensara a aplicação nos estudos com pacotinhos de Magic comprados
com regularidade em bancas de jornal.

Antes que o homem começasse a amaldiçoar em voz alta o fiasco do seu programa
de incentivos, Willy se apressou em informar: "Eles me garantem o mesmo
salário e bancam todos os gastos nos campeonatos, além do dinheiro dos
prêmios." A conta era promissora. Mesmo dando duro na Shell, Willy
conseguira participar de alguns campeonatos internacionais e, nos seis meses
anteriores, acumulara o equivalente a quatro anos de trabalho. "É só por
um tempo, depois ele volta fácil pro mercado de trabalho", explicou
Fernanda, pondo panos quentes.


O jogo Magic - The Gathering foi criado em 1993 por um professor de matemática
americano, Richard Garfield. Cada jogador começa com vinte pontos de vida e
persegue o objetivo de destruir o adversário retirando-lhe os pontos e a vida.
Isso é o básico. O resto tem mais subenredos do que Guerra e Paz. Os elementos
do jogo parecem saídos de Avatar via Paulo Coelho. Jogadores são entidades de
"pura energia", "andarilhos" nos vários planos da vida.
Fala-se em feiticeiros, vampiros e cabala. É esoterismo para Castaeda nenhum
botar defeito.

O gênio de Garfield foi ter criado um baralho com cerca de 10 mil cartas - até
a última contagem, pois elas continuam a ser inventadas -, todas com o poder de
deixar salivando qualquer adolescente curtido em videogames. O apreciador
seleciona sessenta cartas com as quais enfrentará o inimigo. Nelas haverá
criaturas como o Dragão Vulcânico ou o Guerreiro Ogro e lugares como a
Catacumba Submersa ou o Castelo de Gárgula, a par de encantamentos com nomes
vagamente científicos, como Linha de Fora da Singularidade, ou mais prosaicos,
como Manto Mofado, um castigo que não soa particularmente ameaçador, salvo para
o eventual adolescente que sofra de coriza.


São 6 milhões de jogadores espalhados por mais de setenta países, e Willy é um
dos mais bem-sucedidos. Ele se diz um competidor contumaz: "Quando fui
prestar vestibular, além de estatística, que era o que eu realmente queria,
prestei também para direito, só para competir com a minha namorada na época. Eu
passei e ela não. O namoro acabou ali." O Magic era apenas mais uma das
arenas em que se punha à prova. Durante férias na Shell, soube que fora
convidado para um mundial nos Estados Unidos. Conquistou o segundo lugar. Na
volta, decidiu parcelar o resto das férias para participar dos mundiais
seguintes. Seu chefe topou.


Foi um pulo até a glória. Quando viu, estava autografando cartas em lojas dos
Estados Unidos. Como as finais são transmitidas pela espn, seu rosto já era
conhecido dos aficionados. Na volta de um campeonato em Kobe, no Japão, uma
comissária de bordo veio avisar que um passageiro pré-adolescente queria tirar
uma foto com ele. Para um segmento particular da população, ser Willy começava
a ser mais bacana do que ser Ben Stiller. A empresa proprietária do jogo estava
atenta.

Willy não fez feio. Em pouco tempo, alcançou o píncaro mais elevado a que um
jogador de Magic pode aspirar: tornou-se uma carta. Não tem fundo estratégico,
apenas comemorativo, mas ali está ele, sorrindo timidamente para o mundo. É
como se homenageassem Warren Buffett estampando seu rosto no tabuleiro do
Monopoly (aliás, do mesmo fabricante do Magic, a gigante Hasbro).


Willy ganhou o suficiente para comprar uma casa e um carro. Nas suas andanas
pelo mundo, acumulou cerca de 200 mil milhas aéreas, mais ou menos a distância
entre o Rio Comprido, onde mora, no Rio de Janeiro, e a lua. Fernanda, que nem
sempre podia acompanhá-lo, começou a achar menos graça na história.

Era hora de aproveitar a fama para sair no topo. Não renovou o contrato de
patrocínio, abriu uma consultoria de jogos e uma loja on-line de cartas de
Magic e hoje vive confortavelmente dos seus negócios. Ainda se permite a média
saudável de 30 horas de Magic on-line por semana, durante as quais divide em
quatro telas o seu monitor de 27 polegadas, para se distrair com quatro jogos
simultâneos.


Willy está com 30 anos. Seu plano é se aposentar aos 35, objetivo mais comum do
que se imagina nesse mtier. "O sonho de vários amigos meus que vivem de
jogos como Magic e pôquer é parar antes dos 40." Parar e, finalmente, ter
tempo de jogar só pela beleza do jogo.




Ele também foi capa do jornal O Globo.

Morador do Rio Comprido vira celebridade entre praticantes de jogo.


Edel já visitou mais de 30 países / Foto de Márcio Alves - Antigamente, quem
vivia de suas habilidades com as cartas era visto como malandro. Z Kit cantou
na música Nega Dina: Ela pensa que minha vida é uma beleza/ Eu dou duro no
baralho pra poder comer. Hoje, os tempos são outros, e Willy Edel, de 30 anos,
morador do Rio Comprido, vem mostrando que o talento no jogo rende uma carreira
promissora.


O carioca se tornou figura comum entre os primeiros colocados das principais
competições mundiais de Magic The Gathering, jogo de baralho com adeptos no
mundo todo. Hoje, ele é celebridade entre os praticantes, tendo largado o
emprego numa grande empresa para se dedicar exclusivamente ao jogo, que em seis
meses lhe rendeu mais do que se tivesse trabalhado quatro anos na antiga
ocupação. Por mês, são pelo menos R$ 7 mil.



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MensagemAssunto: Re: O HOMEM QUE VIROU CARTA   Qui 05 Ago 2010, 20:36

Emprego bom esse ai né?
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